Sommelier Nº 1 do Brasil

Em 2015 em um dos jantares harmonizados que promovi, ainda como 4 Friends,   tive o imenso prazer de conhecer o querido DIEGO ARREBOLA, nada mais ada menos que o sommelier número 01 do Brasil. Diego-Arrebola

O jantar foi realizado no Daitan e o desafio era harmonizar vinho e comida japonesa.

Dono de uma simpatia que encanta, diante de tanto conhecimento, o que o torna para mim um ídolo, como apreciadora de vinhos que sou.

Pedi a ele um material para a estréia do meu blog e gostaria que vocês vissem como uma pessoa com verdadeiro conhecimento consegue expressar de forma acessível o seu parecer.

Segue na íntegra sua opinião sobre os vinhos produzidos no estado de São Paulo, pois grandes descobertas estão bem aqui , ao nosso lado .

“Se falamos em vinho brasileiro, a região que vem à mente, automaticamente, é a Serra Gaúcha, correto?” Afinal, todos temos o Rio Grande do Sul como nossa principal referência na produção de vinhos, desde os simplórios vinhos de garrafão, até os melhores vinhos finos. A proeminência da região Sul deve-se, sobretudo, ao influxo de imigrantes de origem europeia, que ali se instalaram no século XIX, e trouxeram consigo seus hábitos culturais, que incluíam o consumo do vinho.

E essa é a versão predominante que você ouvirá ao solicitar a quem quer que seja um breve resumo da história do vinho brasileiro. Mas você sabia que nosso primeiro vinhedo foi plantado em… São Paulo?! Em São Vicente, para ser mais preciso, lá nos primeiros anos de nossa nação em 1532. Assim como os colonos do século XIX, os primeiros europeus que aqui se estabeleceram também tentaram trazer consigo seus hábitos, mas não foram bem-sucedidos, principalmente por conta dos aspectos climáticos, que eram, e ainda são, pouco favoráveis a produção de vinhos finos.

Naquele primeiro momento, a tentativa foi de implantar videiras europeias, que são as que produzem os vinhos finos, as variedades que vemos nos rótulos, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay. Em tempo, observou-se a possibilidade de plantar, com sucesso, uvas de mesa, variedades menos adequadas a produção de vinhos, e que normalmente são consumidas in natura, mas que são também utilizadas na produção de vinhos simples de mesa, nossos conhecidos vinhos de garrafão. Com isso, o que cresceu no estado de São Paulo foi a produção de vinhos de mesa, com o estabelecimento de polos de produção em diversas cidades entre Vinhedo e São Roque.

Daí até bem pouco tempo a história foi praticamente a mesma, com ciclos de produção maior ou menor de vinhos de baixa qualidade e baixo custo, até anos recentes, quando tecnologia, estudo e investimento começam a colocar São Paulo no mapa dos vinhos finos brasileiros. Hoje temos várias vinícolas plantando novamente uvas viníferas, e produzindo vinhos de alta qualidade. O segredo, para a maioria delas, é a reversão do ciclo da videira.

Explico, normalmente, as videiras entram em dormência no inverno, em zonas mais frias, e produzem uvas entre o final do verão e o início do outono. Ocorre que em São Paulo esse é um período chuvoso, o que prejudica a produção de uvas de alta qualidade, então, recorrendo a uma variedade de técnicas agrícolas, os produtores revertem esse ciclo, levando a produção para o inverno, quanto temos pouca, ou nenhuma chuva, além de noites mais frescas.

Hoje já são muitos os produtores de destaque em São Paulo, com seus vinhos recebendo importantes reconhecimentos. A Góes, tradicional produtor de São Roque, tem no mercado o Tempos Cabernet Franc Philosophia, cuja amostra ainda em barricas venceu a Avaliação Nacional de Vinhos como melhor Cabernet Franc em 2014, desbancando tradicionais produtores de todo o país, enquanto a Casa Verrone, com vinhedos em Divinolândia, acabou de ser premiada com seu Chardonnay, reconhecido como o melhor do país na Grande Prova de Vinhos do brasil, organizada pelo jornalista Marcelo Copello, isso para citar dois exemplos.

Mas talvez o maior caso de sucesso dos vinhos paulistas seja a Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal. Com instalações modernas, uma equipe enológica de primeira linha e a consultoria de um enólogo americano, a Guaspari vem conquistando reconhecimentos dos mais importantes, como a inédita medalha de ouro no Decanter World Wine Awards, respeitada premiação da revista britânica, além de repetidos elogios de experientes degustadores e jornalistas. A amostra definitiva de que, com dedicação e investimento, nosso solo pode sim produzir grandes vinhos.

Importante também manter os olhos abertos para tantas outras vinícolas por aqui, como a Entre Vilas, em São Bento do Sapucaí, ou a Terrassos, em Amparo. Novidades não devem faltar no mercado em um futuro próximo, e seguramente teremos, em breve, uma cara nova para o vinho paulista.

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