O Assunto são os musicais

Minha paixão pelos musicais começou muito antes do que imaginam.

Ainda era uma garotinha quando vi pela primeira vez Rita Hayworth, em “Quando os Deuses Amam” – Down to Earth, onde ela interpretava a deusa Terpsichore  e é enviada do Olimpo para ajudar um produtor musical, Larry Parks, com seu show na Broadway.
Me encantei com aqueles passos que transformavam o esvoaçante vestido, provavelmente de musselina, em asas de um anjo encantador.

Lembrando que os filmes naquela época não traziam cenas fervorosas de
amor, mas beijos delicados, uma linguagem corporal insinuante e olhares
profundamente apaixonados. Tornei-me uma romântica.

A maioria apaixonou-se por Rita em Gilda, mas o caso de amor entre uma deusa e um mortal me cativou alí e para sempre.

Entretanto não é segredo para nenhum de nós a carência de espetáculos deste tipo em nosso país, fosse pela técnica, já que o acesso a boas escolas para formação de atores que fossem cantores e bailarinos era muito difícil ou de patrocínio. Eu disse “fosse”!

Os musicais produzidos hoje em terras tupiniquins vem se mostrando de excelente qualidade e surpreendendo cada vez mais.

E o público responde seja em grandes teatros ou em produções mais modestas, porém bem produzidas, em espaços públicos ou pequenos teatros.

Além da qualidade muitas produções apresenta a vida ou a carreira de personagens famosos ou da nossa própria história, um atrativo a mais.

Os ingressos não são muito acessíveis, mas eu afirmo que o investimento vale a pena. São peças muito bem montadas, com elencos fantásticos e coreografias incríveis de profissionais renomados.
Confira!

Poderosas e Empoderadas

Se hoje em dia a discussão em torno do empoderamento feminino está em alta, imagine há 50 anos atrás.

Na década de 60 mulheres marcaram época com frases que deram o que falar. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” afirmava a escritora francesa Simone de Beauvoir. Marilyn Monroe fazia sucesso e bradava “mulheres comportadas raramente fazem história”.

Aqui no Brasil, mulheres como Leila Diniz também não ficavam atrás com atitudes e frases que marcaram história, como: “Na minha cama deita quem eu quiser”.

Wanderléa foi o  símbolo de vanguarda. Longos cabelos loiros impecavelmente tratados, mini sais e botas de cano alto. Preenchia o palco movimentando-se para todos os lados, enquanto o padrão da época era cantar parado em frente ao microfone.

Primeira mulher a posar nua grávida para uma foto e pioneira no uso das minissaias e do silicone, contribuiu para os direitos e a liberdade das mulheres de sua geração.

Wanderléa agora retorna aos palcos protagonizando a si mesma em um musical.

Simultaneamente temos Vera Fischer que também  retorna, depois de um período ausente,  para mostrar, mais uma vez como é dar volta por cima e superar a si mesma.

Falamos o tempo todo de poder, de empoderamento e isto não pode ser comparado com autoridade, estamos falando de conhecimento e reconhecimento do nosso poder de participação social. Da busca de direitos, da participação de decisões na sociedade.

Ao ver estas mulheres maravilhosas, ícones de uma época, devemos nos atentar que o fato de se sobressaírem nos dias de hoje decorre de um movimento iniciado há 50 anos e que cada uma delas tem sua participação e seu mérito.

Mais do que simples plateia, devemos ser admiradoras, prestigiadoras e respeitadoras desta geração e sermos incentivadoras da nossa.

Mudanças culturais acontecem lentamente, sem que sejam percebidas no dia a dia. Mudam-se hábitos e depois comportamentos. Quando nos damos conta achamos que foi um de repente.

Os dois espetáculos em cartaz nos remetem a pensamentos sobre estas mulheres que poderiam ter sido “apenas” belos rostos e pernas, mas decidiram traçar um destino mais poderoso e não deixaram que nem  o tempo,  o preconceito ou as adversidades a

 fizessem desistir de seu objetivo comum e maior. O de serem mulheres que atuam em suas próprias vidas.

Ela é o Cara – teatro Vera Fischer 60! Década de Arromba – musical Wanderléa

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Festivais de Jazz e Blues #lugarzinhos

Estou me preparando para ir neste domingo, 12 de março, ao festival de Blues em Andradas, sul de Minas. O “Blues na Montanha” no Pico do Gavião.

Serão duas Bandas, das 11h às 15h quem toca é a Tom Sem Freio, a partir das 15h até o pôr do sol o som é por conta de Ivan Marcio Harmônica Show & Roger Gutierrez, com duelo de gaitas ao pôr do sol com Luciano Boca. E estou me preparando para o visual fantástico do local, baseada nas fotos e vídeos que andei buscando. 47b799_dba14db3fd9940bfa6af219f5bc26134-mv2

Em se tratando de música o jazz e o blues são muito charmosos  e, coincidência ou não, os locais em que se escolhem para  fazer os festivais desses dois gêneros musicais são também uma graça!

E em todo o mundo parece haver um padrão. Por exemplo, o Montreux Jazz Festival, em plena Riviera Suíça, uma das paisagens turísticas mais belas da Europa. CPH Jazz Festival, que usa vários locais de uma das cidades mais lindas e descoladas da Escandinávia como palco para músicos de muito talento.  Notodden Blues e as belíssimas paisagens de Notodden, que alternavam entre montanhas maravilhosas, litoral e fjordes.

Aqui também temos ricas e estonteantes paisagens e não poderia ser diferente. Os festivais são charmosos.

Uma mostra de alguns  festivais de blues imperdíveis no Brasil, para você ter como ponto de partida para explorar o gênero e os destinos nacionais.

Bourbon Festival Paraty

Festival Internacional de jazz / blues / r&b / soul, consolidado como um dos mais importantes festivais de música do Brasil, o Bourbon Festival Paraty chega este ano à sua 9ª edição.

Nas edições anteriores, mais de 150 mil pessoas puderam desfrutar momentos inesquecíveis, em shows memoráveis em um dos cenários mais paradisíacos do Brasil. Paraty- RJ

47b799_39d6be4a938d41b5b3838587ce7d6365-mv2Em junho Ibitipoca Blues. Quem já esteve na Serra do Ibitipoca ou na região dessa bela localidade mineira provavelmente se encantou. Uma paisagem rica em mata nativa, montanhas, grutas e cachoeiras. O clima aconchegante da cidade e o acolhimento dos mineiros torna a cidade ainda mais especial. Com tudo isso, ainda existe um dos mais importantes festivais de blues do Brasil, o Ibitiblues, que acontece no centro da vila de Ibitipoca, no camping Ibitiblues.

O festival acontece desde 1999 e já teve a presença de grandes nomes do blues nacional, como Maurício Saad, Blues Etílicos, Corrente Sanguínea, Rodrigo Nésio, Washington Negão, Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves, Rodica Blues, Blues Power, Mojo Society, Big Gilson, Beale Street , Celso Blues Boy, Irmandade do Blues, Arthur Menezes, Adriano Grineberg, entre outros. Conceição de Ibitipoca, Minas Gerais.

Agosto, Tudo é Jazz.

Ouro Preto é certamente uma das cidades históricas mais conhecidas de Minas Gerais, querida por todos que passam por lá. A cidade respira cultura, com riqueza de manifestações, ar de cidade universitária com frescor de ideias e belíssimas paisagens entre as montanhas e chapadas da região. Tudo é Jazz é um dos eventos de jazz e blues mais tradicionais do Brasil e chega a sua 13a edição esse ano.

O evento é gratuito e algumas atividades precisam de reserva de ingresso antecipada, como os workshops ( você pode checar mais informações no site do evento). Há também cortejos e apresentações pontuais em toda a cidade. Tudo vira Jazz nas ladeiras em que nomes importantes da música já passaram, como Ray Moore, Gonzalo Rubalca, Pedro Aznar, Kaki King, John Pizzarelli Trio, Steve Coleman & The Mystic Rhythm Society, Jon Hendricks, Milton Nascimento & Banda, Wayne Shorter & Ron Carter e muitos outros.

Outubro, Ilhabela In Jazz.

O arquipélago de Ilhabela costuma ser  palco de muita música de qualidade geralmente em outubro, ainda não encontrei programação deste ano , na Vila, centro histórico do município.

O evento  se consolidou como um dos principais festivais do país. À beira-mar, em uma área totalmente coberta, mesas e cadeiras estão à disposição da plateia e garçons prestam atendimento de primeira qualidade. Ilhabela – SP

Acontece em Novembro, Mississipp Delta Blues Festival

Caxias do Sul tem um monte de coisas a oferecer, e o Mississipp Delta Blues Festival contribui para que você possa disfrutar de todas elas. O festival acontece no início da noie e está bem no centro da cidade. Assim, fica facil turistar pelos diversos pontos de visitação, como museus, igrejas, charmosos cafés e casas culturais.Ainda é possível fazer visitas à uma vinícula.
Com atrações nacionais e internacionais, o MDBF se tornou um dos festivais mais importantes do gênero, no Brasil e também lá fora. Este ano o evento contará com atrações como Xime Monzon, Whitney Shai, Terry Harmonica Bean, Zora Young, Rip Lee Pryor, Bob Stroger e outros.

Também em Novembro, Blues na praia em Rio das Ostras.

É um dos maiores festivais do gênero na América Latina e é considerado pela crítica especializada como um dos mais importantes no Brasil. O festival acontece com apoio do governo e é gratuito. Além disso, ele acontece em meio ao Balneário do Rio das Ostras, com várias praias e paisagens litorâneas entorpecentes. Tudo isso a apenas 170 km do Rio de Janeiro. O festival acontece em três palcos, espalhados pela cidade em locais de muito charme: a lagoa de Iriry, Costazul e Praça São Pedro.

São mais de 60 horas de boa música, divididas em 4 dias de evento onde os nomes mais importantes da cena Blues e Jazz internacional estão presentes. Esse ano o festival chegou à 13 edição, contando com nomes como Robben Ford, considerado um dos melhores guitarristas da atualidade, Hoy Hargrove, vencedor de dois Grammy Awards, Omar Hakim, Icognito Band, Matt Schofield, Carolyn Wonderland, Dwayne Dopsie, Artur Menezes, Gabriel Grossi e grupo Segundo Set.

O Ilhabela In Jazz  fechou sua quarta edição com glória. Foram quatro dias com grandes nomes nacionais e internacionais do Jazz, em apresentações gratuitas no centro histórico da ilha.

Na praça a beira mar, com vista para o canal de São Sebastião, cobertura em cristal transparente, mesas e garçons a disposição do público e programação com músicos consagrados do Brasil e do mundo, toda esta estrutura fez do festival um verdadeiro clube de jazz ao ar livre. tumblr_inline_nz1wufDB0f1rdq3ll_1280

Oferecendo atendimento, qualidade e infraestrutura, a ilha mantem-se um local agradável, limpo, organizado e com bom atendimento, consolidando-se como um dos principais festivais de jazz do país.

A curadoria de Paulo Braga determina a linha artística do festival, que em edições anteriores trouxe Mike Stern, Naná Vasconcelos, Hermeto Pascoal, entre outros. E este ano não deixou por mesnos: Hamilton de Holanda e o Baile do Almeidinha, com participação de Ed Motta, Vanessa Moreno & FiMaróstica, Nelson Aires Big Band, Cesar Camargo Mariano Quarteto, Edu Ribeiro Quarteto fizeram parte do espetáculo.

A ilha, tradicionalmente, oferece o melhor em hospedagem, gastronomia e entretenimento para todos os gostos. Festivais de camarão acontecem em vários estabelecimentos. Exposições e feiras de artesanato podem ser visitadas ao final da tarde, antecedendo ao festival.

Também há os que não dispensam passeios como as trilhas, uma ótima sugestão para quem quer estar em contato com a natureza. A trilha da cachoeira da Laje tem como ponto de partida o sul da ilha, na Ponta de Sepituba. Estacione o carro e faça uma caminhada de aproximadamente 40 minutos até a cachoeira e aproveite o banho na piscina natural.

Minha sugestão de praia á a de Jabaquara, ao norte da ilha, com uma vista paradisíaca, esta entre as  mais belas da ilha e é famosa por suas águas transparentes.

Com foco no festival, optei por hospedar-me no centro e facilitar a locomoção e o Ilha Plaza Hotel, me encantou. Com localização privilegiada, próximo à Vila, centro turístico da Ilha, e ao Perequê, facilidade de acesso tanto às praias do sul, quanto às do norte.

Todas as suítes possuem sacada privativa com vista para a piscina ou para o jardim e decoração especial com telas do fotógrafo e artista plástico de Ilhabela, Marco Yamin.

Minha dica de gastronomia é  oMarakutay em Ilhabela, sob a regência da chef  Renata Vanzetto de  apenas 27 anos, o cardápio  é um abuso de criatividade e o ambiente  cinematográfico.

Particularmente recomento o fim de tarde ou jantar, pelo ambiente e a vista para o mar, que tornam tudo absolutamente paradisíaco.

Entre os petiscos da chef não deixe de provar o KuriKhiri – Bolinho cremoso de camarão em crosta de castanha de caju com molho de pimenta, TakTakBolinho de cordeiro e batata doce com molho de hortelã, CevicheMegusta – Peixe branco, limão, toque de coentro, cebola roxa, pimenta, leite de côco e milho. Acompanha chips de batata doce e o Atum Toast – Atum selado e laminado com tartar de chuchu, azeite de trufas e crips de mandioquinha .

É redundante dizer que os sabores são surpreendentes, mas ainda não consegui achar expressão melhor.

A quinta edição de 2017 já tem minha presença garantida.